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Assim era ela.
Ficou pensando em todas as coisas que deveria dizer para ele de uma só vez. Sem medo, sem frescuras. Mas não disse. Resolveu se comportar como uma crentezinha e acreditar nas coisas e obedeceu o horóscopo que dizia para se manter quieta e calada pelo menos por enquanto. Apesar de toda dor que ela sentiria por não dizer o que ela pensava, o que já havia colocado em situações constrangedoras e feito ouvir o que não gostaria de ouvir nem nas duas próximas encarnações. Mas era essa sua natureza. Falastrona, sem modos e medidas. Era uma boa menina. Tinha os olhos doces e conseguia dizer coisas doces quando se sentia tocada. Mas de uma maneira geral, era tão franca que chegava a doer. Nos outros. Sua franqueza e sua frieza deixavam constrangidas as pessoas que a cercavam. Mas ela era assim mesmo. Não fria como aparentava. Nem rude, como diziam. Era só uma menina que tentava não se ferir e por isso, acabava espantando as pessoas com sua rudeza e ferindo os outros com a sua franqueza. Mas era só uma menina, como todas as outras meninas, tentando fazer as coisas direito. Seguir o seu caminho sem se perder e ser feliz de uma maneira geral. Era isso...
Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 12h57
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