Muito barulho por nada?
Um dia, eu tive um amigo que tinha olhos coloridos e parecia um príncipe. Falava manso e tolerava todas as minhas sandices. Ria das minhas maluquices. Tolerava todas as minhas avassaladoras dores de amor. Me dava conselhos e nunca perdia a paciência. Eu o ajudaria a conquistar o mundo e uma noiva para ajeitar seus papéis. Além de belo, era também estrangeiro. Gozava de boas idéias. Certa vez, durante uma das nossas 456 bebedeiras e entre um plano e outro sobre como conquistar o mundo e a mais nova teoria da conspiração sobre a crise do capitalismo, ele me roubou safadamente um beijo que durou a madrugada inteira. Sinal vermelho. Alerta. Essas coisas, quando acontecem entre amigos, não costumam acabar bem. Pelo menos, não comigo. Ele sabia da história recente. Ele participou e me cedeu os ombros e preciosas horas do seu tempo, quando eu precisava de colo e de ouvir que culpa não era minha porque tudo estava errado. Mas era bom. Ganhávamos pelo conjunto da obra, por ter tudo que as pessoas precisam quando querem ser envolver e ainda sermos amigos. Para resumir, considerando meu histórico recente, apareceu outra que me levou os sonhos, o sexo, as prosas, a cama quentinha e deixou o vazio de uma amizade trocada por nada. Só me restou chorar na madrugada gelada e sozinha...
Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 03h32
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