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Feliz Ano Velho

Não sei se estou em um momento muito sensível da vida, mas o fato é que eu tenho tido vontade de mandar emails passionais para as pessoas. Dessa vez eu não estou bêbada, como foi da última, na qual eu escrevi coisas absurdamente belas para um belo desconhecido que adentrou na minha vida. VERGONHA... mas é a velha tática do caminhão desgovernado na descida.

 

Hoje fui tomada por um sentimento passional pelo Marcelo Rubens Paiva. Eu sei, isso já era para ter acontecido, mas é que eu ainda não tinha lido o “Feliz Ano Velho”. Falha minha. Tenho ciência, mas não se pode fazer tudo corretamente o tempo todo. Li o livro em um dia. E foi a melhor coisa que fiz.

 

Primeiro, porque me trouxe boas lembranças da minha adolescência. Me perdi nas vezes que vi entrevista do autor em programas para a minha faixa etária da época. Era o “Programa Livre”, do Serginho, no SBT. A imagem é bem nítida em minha memória. Eu devia ter uns 12 anos, acho. Sempre falavam dele e do livro “Morangos Mofados”, do Caio Fernando Abreu. Também não li, mas já vi algumas capsulas que me fazem ter vontade de ler.

 

O fato é que eu devia estar nascendo quando tudo aquilo aconteceu com o MRP. Não achei o estilo narrativo fantástico. Me incomodou um pouco, na verdade. Tive que me despir de preconceitos. Como disse um amigo, eu preciso parar de ler as coisas, tendo como parâmetro a atualidade. Mas é bom identificar estilo de uma época, num texto literário. É bom também perceber como algumas coisas mudam e como outras não.

 

Por exemplo, fumar maconha hoje ainda é “dar uma bola”. Mas hoje, um beijo de língua não significa namoro. Na verdade, não significa nada....rs rs rs

 

Confesso que ao terminar o livro, fui tomada por um sentimento de ternura e uma vontade tão grande fazer perguntas para ele. Ele escrevia sobre o nascimento do PT e esperança que um partido dos trabalhadores traria naquela época de anistia. Falava do Eduardo Suplicy e dizia-se filiado ao PT. Será que ele ainda tem aquele orgulho do partido hoje?

 

Fiquei surpresa também com a citação sobre o Arrigo Barnabé. E gostaria de perguntar ao MRP como é hoje, ver a história da cultura acontecer e ser integrante dela. Deve ser uma loucura topar com uma pessoa, que depois, mesmo que não saibamos nada sobre o futuro, vai se tornar referência naquilo que faz. Tipo ser protagonista mesmo da história.

 

Ao terminar o livro, tenho certeza de que o mundo perdeu muita coisa, o que me deixou triste. Perdemos ideologias e ingenuidade. Perdemos esperança. Mas ao mesmo tempo, não... Porque o livro é o relato de um jovem que vê sua vida mudada por completo e mesmo assim não se abate. Se adapta e está por aí fazendo arte e literatura, como pude constatar numa visita rápida nos caminhos do google.

 

“Feliz Ano Velho” é uma excelente narrativa de como encarar a vida, sem perder a esperança. Se adequar a ela sem amargura. Agora eu entendi o sucesso e tudo aquilo que não fazia o menor sentido para mim, quando eu tinha 12 anos. Hoje, aos 28 faz.

 



Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 20h37
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