Carta ao príncipe
Querido príncipe, Esse email é resultado de todas as minhas divagações insones e solitárias. Ele é resultado de tudo que está apertado aqui dentro de mim, querendo gritar bem alto. Mas eu estou pensando que não faz o menor sentido trocarmos email porque nós nunca fizemos e mandar um email dizendo coisas eloqüentes e passionais para uma pessoa com quem temos um relacionamento médio educado, é absolutamente insensato. Mas, mesmo assim, eu gostaria de dizer que você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida no momento. É verdade que não aconteceu nada demais, mas foi o melhor até agora. Vou confessar também que pouco me interesso sobre nossas conversas científicas. Estou me lixando para as coisas que você sabe sobre ciência, física ou filosofia. Isso não me interessa nenhum pouco. Aliás, talvez filosofia interessasse em algum outro momento da vida, mas neste momento, não me incomodo nem com o seu português mal aprendido e mal escrito. Simplesmente porque você é a coisa mais bonita que me aconteceu na vida. De tão belo, é quase sublime. Não sei se já tive vontade de chorar diante da sua beleza, mas ela me comove profundamente. Eu queria te dizer isso. Eu queria te dizer que é por isso que penso tanto em você. E é por isso também que eu te chamo de príncipe. Se eu tivesse direito a um conto de fadas moderno, o meu príncipe teria exatamente o seu sorriso e seu cabelo e sua camisa azul de malha. Ou qualquer outra de cor intensa, do Almodóvar. Se eu tivesse direito a um príncipe encantado ele seria você. Você e sua polidez, sua gentileza. Sua safadeza. Sua delicadeza. E tudo mais que me deixa confusa, escrevendo coisas absurdas como essa e que eu não enviarei. Não te enviarei porque não faz sentido. Porque, provavelmente, eu nunca mais verei você. Nunca mais nos encontraremos. Nos falaremos esporadicamente. Nos distanciaremos e as coisas se perderão como elas sempre se perdem. Mas eu precisava te dizer isso. Adeus!
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 21h12
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Conto inacabado - parte VII
Era estranho sentir saudades do nada. Duas ou três prosas trocadas virtualmente. E ela sentia tanta falta. A menina ocupava sua existência apenas com sentir falta. Ela via aquele sorriso virtual e sentia falta. Ela não lembrava da voz ou do cheiro, mas, mesmo assim, sentia falta. Já havia passado muito tempo desde o último encontro. Ele comentava sobre mudanças. E ela guardava as suas mudanças, que talvez os afastassem para todo o sempre, amém. Ela queria gritar. Ela queria acreditar no conto de fadas e no príncipe moderno e distante. Mas ela já não tinha mais forças. Nem para sonhar. Não poderia esperar pela lua cheia.
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 19h11
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