Considerações sobre o amor, a expectativa e o agronegócio
As expectativas são o agronegócio dos sentimentos. De repente, você se vê cheio delas como se fosse uma plantação de soja, prontinha para ser cotada em commodities junto ao alheio. Mas quando a bolsa quebra, as cotações vão lá embaixo e você fica com aquela coisa toda encalhada. Os preços lá embaixo a espera da melhora do mercado. Pode ser que não dê tempo, porque muitas vezes a cotação é de produtos perecíveis.
Acho que foi a comparação mais tosca que eu já escrevi na vida, mas...
Eu queria mesmo, apenas e tão somente, falar sobre expectativas. Confesso, recentemente, mas não muito, eu fui vítima delas. Eu, que sempre gritei para todos os cantos “nunca crie expectativas”, criei. Não aprendi com o meu próprio discurso.
Agora pereço.
Pereço porque sou sufocada por coisas que não existiram e não vão existir. Não aconteceram e não vão acontecer.
Acho que isso só vai passar quando eu me permitir perder a dignidade e sofrer como uma mulherzinha deve sofrer, com direito a falar mal do alheio, chorar e cortar o cabelo. Mudar de vida e fazer promessas para o ano novo que se aproxima.
Ser mulherzinha e parar de correr atrás da vida. Porque é assim, que as coisas parecem. Que estou sempre correndo atrás de um tempo perdido do qual eu não participei, do qual eu não fiz parte. É sempre assim, meu compasso sempre atravessado, exatamente na hora que eu acredito que acertei o passo, o gingado, vem e a vida e mostra que eu....atravessei.
Sinto muito pelas coisas que não viveremos juntos (expectativa maldita!!!). Sinto muito pelas vezes que não caminharemos juntos de mãos dadas rindo da vida e nos permitindo rir dos nossos problemas. Sinto muito pelos problemas que não compartilharemos. Do amor que não faremos. Do carinho que não trocaremos. Sinto muito pela história que será deixada em branco. Sinto pela cumplicidade que não acontecerá.
Sinto muito não poder cuidar de você como eu gostaria. Eu sinto muito também por todas as expectativas criadas, todos esses sentimentos cultivados, tal qual soja. Mas a bolsa quebrou. Não há compradores e, mais uma vez, eles ficarão aqui, estocados a espera da recuperação, ou de um milagre (para não perder o trocadilho.).
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 17h55
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