Gestação
Só ontem eu tive certeza de que estava grávida.
A confirmação não veio por meio de exames laboratoriais ou de farmácia.
Tampouco eu sentia aqueles sintomas comuns a qualquer mulher, quando estão gerando de fato, vida.
Eu andava nauseada (de determinados fatos e pessoas).
Eu andava tendo desejos estranhos (que implicavam em degustar bocas, lábios).
Poucos cheiros me eram aprazíveis (o seu por exemplo, que apenas posso imaginar como seja, idealizar, porque não conheço).
Meus hormônios andavam estranhos (O desejo era tão intenso. A necessidade de pele contra pele. Do toque. Da mão na pele. Dos dedos que se perdem entre os cabelos).
Eu estava de fato grávida.
Me sentia grande. Com mudanças no corpo.
Eu estava grávida.
E não era de uma criança.
Não haveria mal se fosse. Não haveria porque as histórias e gerações precisavam dar prosseguimento.
Eu estava grávida. Não a gravidez física.
Eu estava grávida daquilo que, normalmente - ou em mundos ideais – precedem a gravidez.
Eu estava grávida de sentimentos. Cheia. Eles vazavam pela minha tez, pelos meus olhos. Meus suspiros me entregavam. Eu estava grande, porque os sentimentos não cabiam em mim.
Mas essa é uma produção independente. Como quase todas as minhas produções.
Era um fruto gerado por mim.
Mas que era farto e que caberia a qualquer um que estivesse disposto a compartilhar.
Eu estava farta, e cheia e pronta para te (me) entregar, se assim tivesse que ser.
Eu estava grávida de amor.
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 10h32
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