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A morte do conto de fadas

Ela sonhou. Por uma, duas, três semanas, ela sonhou com mais aquele amor que poderia ter sido. Ela sonhou com aquela história maravilhosa que só aconteceu na cabeça dela. Com toda a poesia que foi feita com ela e para ela. Dele e dela. Para eles. Ela sonhou um pouco, não acreditando muito que se tornaria realidade. "Mais uma daqueles grandes amores que poderiam ter sido, se de fato tivessem sido grandes amores."

Mas acabou. Acabou diante daquelas coisas que ela havia sido um dia. Moça, jovial, doce, leve, frágil, livre, desapegada... enfim, uma lista enorme de qualidades que ela tinha sido um dia, mas que o passar dos anos e a vida acabaram fazendo com que ela escondesse de tudos e de todos. Ela era mulher, mas não queria ser frágil (afinal é tanto tempo sozinha, que quem vai lutar por ela, se não ela mesma?), ela estava tão presa as suas convicções que não conseguia ser leve ou livre.

Tudo isso poderia ser resolvido com uma boa dose de terapia, exceto a questão do tempo. Ela ia fazer 26 e seu corpo não obedecia mais como uma garota de 18. Ela comia e engordava e sofria para perder peso. Sua pele já não era a mesma, seu cabelo já não era o mesmo, seu encantamento já não era o mesmo. Ela se sentia velha diante da jovialidade daquela menina que lhe roubou o seu conto de fadas.

Ela se sentia triste e mais uma vez repelia a possibilidade de sonhar porque o que ela achaava que eram sonhos, se transformava em pesadelos. Ela não queria se amargurar. Ela não se amargurava porque ela leu muito e no fundo sabia que as coisas só aconteciam quando tinham que acontecer. Era filosofia, alguma corrente filosófica. Naquele momento, ela acreditou que a existência humana era disprovida de qualquer sentido.



Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 17h37
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O que a indústria cultura faz com as nossas bandas?

Quem me conhece sabe que eu costumava ser muito fã do Rappa. Eu era alucinada. Poesia, política, muito groove, muito dub, um som sem classificação, então veio a indústria cultural e ....


A menina estava do meu lado do show e começou a falar que era muito fa do Rappa. Foi então que seguiu o diálogo.

Eu: Dos integrantes, o mais legal é o Lauro.

A menina do lado: Quem é Lauro?

Eu: O baixista da banda.

A menina do lado: Eu não sei quem é o baixista. O Xandão quem é?

Eu: É o guitarrista.

Apesar de eu ter dito que o baixista da banda era o Lauro ela só sabia chamá-lo de "peixinho" fazendo referência a uma história que ele, Lauro, conta nos extras do primeiro DVD da banda, "O Silêncio Que Precede o Esporro".

Eu quis chorar. Invoquei o santo "Edgar Morin" e mal disse muitas vezes a indústria cultural, que transformou aquela que tinha sido a minha banda preferida numa ajuntadora de debilóides, provavelmente incapazes de decifrar as belas frases construídas nos tempos áureos, tampouco decifrar as frases sem sentido do tempo atual. Afinal, dentre eles eu deveria ter sido a única que foi ao dicionário descobrir o que era "tarrada" que faz parte da música mais cantada por eles, como se fossem papagaios.



Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 12h41
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Sobre a dor...

(baseada nos posts anônimos de um ilustre conhecido)

é bom sentir dor... simplesmente porque ela inspira as melhores palavras,neste caso, de tudo aquilo que foi perdido no caminho.
É ela, a dor - quando nos permitimos sentí-la  -  que faz com que não tenhamos mais vergonha de ser piegas, pq o amor de fato é brega.
Se nos permitimos sentir dor é porque admitimos que amamos até o último fio de cabelo, até a última gota de sangue que parece que vai coagular no corpo, simplesmente porque parece que tudo parou, que não há vida...porque foi intenso demais...



Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 19h26
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