O amor acontece
Então, o amor acontece. O amor acontece em dias nublados. O amor acontece no momento em que baixamos a guarda. O amor acontece em churrascos, festas, rodas de samba. Ele acontece. E acontece quando chove mais que o esperado. Ou quando o tempo esquenta até quase não suportarmos. Ele acontece quando abrimos aquele livro Ou trocamos figurinhas sobre filmes. O amor acontece. De fato, ele acontece. E, então, acaba!
Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 20h37
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Canção de um bêbado

Eu cheguei e aquele Jesus escalpelado ficou me olhando. Eu olhava para a garrafa vazia e cheguei a conclusão que deveria ter bebido pouco. Menos, bem menos. Era aquela necessidade de fuga que me direcionava para a garrafa, como se eu pudesse me afastar das imagens e das lembranças. Mais das lembranças do que das imagens, porque as imagens era eu quem criava. Eu procurava a garrafa porque queria me afogar e, aqueles dias, eram tão secos, tão secos... Procurava a garrafa porque a realidade também era seca e fria. Eu procurava a garrafa porque desejava alterar minha visão. Minha miopia já não era suficiente. As lágrimas já não eram suficientes. Procurava a garrafa porque precisava de cheiros e sabores. De seus cheiros e sabores ou quaisquer outros cheiros e sabores. Procurava a garrafa. Não por dependência. Não por fraqueza... Procurava a garrafa porque, ali, um dia me disseram que ela seria mágica e realizaria todos os meus desejos. Procurava a garrafa porque procurava sonhos.
Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 22h40
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Porque tem dessas coisas...

Porque tem todas essas coisas que fazem parte da gente. E tem também aquelas paixões que não fazem sentido e nem teriam porque acontecer se a vida não fosse um grande emaranhado, e é como se Deus ou aquela partícula que os físicos tanto procuram, ficassem mostrando para gente quem é que realmente manda. E nem adianta essa coisa de ser virginiano e tentar contolar tudo, e nem adianta a gente ser racional e tentar fazer da vida uma grande equação matemática que vai terminar no infinito (que talvez seja a melhor metáfora para a morte). Não adianta nada. Não adianta porque eu vou jogar três meses de mentalização, higienização, força de vontade e tudo mais que eu fiz para ficar forte e não sucumbir a todas as coisas que me fazem mal, porque na vida nada é 100% acertado e bom. E eu vou jogar tudo no lixo e não ligar para as dores e angústias só porque eu senti o seu cheiro e vi a sua pela morena de novo. E você sorriu e foi doce. E eu tentei ser séria e equilibrada de um jeito que eu não sou. E eu vou pensar em você e te desejar doce como uma jujuba. E vou querer sua pele macia e um pouco de ternura, que eu ainda hoje duvide que emane de você. Porque eu vou pensar em quantas vezes eu gostaria de vê-lo sorrindo, despojadamente. E em como tudo ficou pequeno...e como eu me fiz forte para resistir. E fraca a ponto de desejar. E eu vou acordar pensando em você e na cor da sua camisa.. e no seu sorriso. Eu vou acordar pensando em você e seguindo em frente, embora por dois segundos eu quisesse apenas aquilo que existiu na minha cabeça. O tempo está acabando e eu vou pensar em você, safadamente, enquanto espero que algo real aconteça. Com você ou com um outro qualquer.
Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 16h13
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Então eu senti saudade...

Talvez hoje seja dia de sentir saudade. Não sei muito bem a razão. Mas a verdade é que acordei sentindo uma saudade que não tem tamanho, daquelas que dão vontade de de pegar em coisas e tocar pessoas. De sentir cheiro, de lembrar do gosto. E aí veio você. E só veio você. E a sensação de que seu rosto e sua lembrança começam a parecer vultos esfumaçados e etéreos. Com eu queria tocar. E sentir cheiro e gosto. E aí eu lembrei dos Beatles e a música tocou 3546 vezes no meu player e eu querendo “sand all my loving to you”... E eu não consigo parar de pensar em como fazer meus sonho se tornar realidade. E, enquanto isso não se torna possíve (talvez nunca) eu vou sonhando e sentindo saudade disse você que eu não sei explicar. "I'll pretend that I'm kissing The lips I am missing And hope that my dreams will come true"O vento soprou por aí e fui eu que te beijei. Tenho certeza que a brisa é tão suave e delicada e que te incomoda de um jeito terno porque parece que tem alguma coisa incomodando o seus olhos. E não sei se isso te fará lembrar de mim. Talvez eu não seja nem lembança, nem saudade....
Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 17h18
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Distantes

Foi assim que eu me perdi. Ou assim que me encontrei. Não me lembro, na verdade. Foi assim que me perdi, quando me encontrei nos seus belos olhos. Distantes. Foi assim que me perdi. Na minha intensidade e no meu medo. Queria me perde em você. Ou me achar. E querendo me achar, me perdi em você e em seus belos olhos. Distantes...
Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 16h20
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Sobre o fim dos romances

Ele trabalha com informática, ainda. Ele trabalha com informática mas decidiu que será piloto de helicóptero. Ela é médica. Só que decidiu pelo artesanato. Os caminhos se cruzaram no aeroporto, em um dia ensolarado e fresco. E foi assim, como que despretensiosamente, que os dois se conheceram. Não teve flores, nem sinos badalando, nem música instrumental de fundo, nem nada. Ele da informática. Ela médica. O máximo de lirismo que lhes foi permitido foi um vento intenso, como aqueles de filme e que prenunciam acontecimentos grandiosos. A conversa começou com o emprétismo de um recarregador de celular. Pegariam o mesmo vOo e compartilhavam a mesma sala vip dos clientes especiais do banco. Trocaram telefones, em seguida. Foi tudo muito intenso e, rapidamente, moravam juntos e faziam planos sobre casas de dois pavimentos, escada, filhos e labradores. Não durou muito. Tudo terminou em uma noite de chuva e um peito perfurado por uma faca. Nunca mais se veriam. Ela no caixão. Ele na cadeia. Não haveria tempo nem para o artesanato, nem para o helicóptero.
Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 18h43
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A elite da tropa vai à academia?

A escolha de "Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro", para tentar uma vaga na disputa de Melhor Filme Estrangeiro, na 84ª edição do Oscar trouxe, novamente, o filme de José Padilha para a roda discussões no Brasil. O anúncio foi feito nesta terça-feira (20 de setembro), no Rio de Janeiro e acontece em um momento propício para o longa que deverá estrear, nos Estados Unidos, em breve. Só no Brasil, a história do Capitão Nascimento levou mais de 11 milhões de espectadores às salas de cinema. Na segunda parte da história, agora 10 anos mais tarde, o Capitão Nascimento (Wagner Moura) abandonou o trabalho nas ruas e trabalha na inteligência, controlando a Secretaria de Segurança Pública. Em seu lugar, André Matias (André Ramiro) que ainda carrega a carga idelista de uma polícia que não se rende à corrupção, embora esteja cercado por ela em todos os lados. A corrupção é o tema mas, o que chama a atenção entre tiros e explosões, é a falta de esperança que a história carrega. Teríamos que recomeçar nossa história como povo, como nação para nos livramos da corrupção? O que choca, mais do que tiros e explosões, é o fato de não termos em quem acreditar. O que choca é a solidão de um capitão Nascimento que tenta, de qualquer forma, vencer essa coisa engendrada e sem uma face específica. E os questionamentos? A escolha de "Tropa de Elite 2" vai levantar, novamente, questionamentos sobre a temática dos filmes brasileiros que giram em torno da pobreza e da violência. Seria esse o Brasil que gostaríamos de apresentar aos outros? Ou é melhor estarmos conscientes dos nosso problemas e utilizar a arte como ferramenta para a reflexão? Particularmente, eu gostaria de ver outros tipos de narrativas. Em 2008 "O ano em que meus pais saíram de férias" fez parte da pré-seleção dos filmes que tentavam a chance de ser escolhido como melhor filme estrangeiro. No ano anterior, "Cinema, Aspirinas e Urubus". Os dois exemplos são narrativas que fogem do padrão e da lógica de Hollywood e que ainda nos permite ter a liberdade de contar histórias do jeito que quisermos. A indicação já foi. Agora é torcer para que a história do homem por traz do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) convença os integrantes da academia e, no fundo, finalmente traga o tão almejado Oscar para o Brasil.
Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 18h24
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Por que todas merecem um Xico Sá?

Ontem estava vendo Saia Justa e o participante da noite era o Xico Sá. Não sei quando comecei a admirar “o cronista, o repórter, o homem, o mito, a fraude” como está escrito na testeira do blogo dele. Evidentemente, em primeiro lugar, admiro o profissional. São daquelas pessoas que fazem o jornalismo e, sobretudo, escrevem do jeito que eu gostaria de fazer. Cheio de lirismo, só para roubar uma das suas expressões. Mas não é só por isso que eu adoro o Xico Sá. Adoro porque ele é o tipo de homem que gosta de mulher. Mas gosta muito, incondicionalmente. Sem frescurites. Sem mimimi. Sem dizer que prefere as loiras, ou as morenas. Ou as altas. As baixas ou as ruivas. Ele gosta das dentucinhas. Certamente, deve ter lá suas preferências, mas sempre faz acreditar que podemos amada pelo que somos. E ele fala de nós, mulheres, com uma delicadeza e uma doçura, que é de perder o fôlego. Ele nos faz lembra de como é bom ser mulherzinha. E não é só isso. Ele nos faz querer ser mulherzinha. Para poder perdir as coisas com delicadeza, para os nossos machos. Ele nos faz querer não ser tão soberana e dona das nossas vidas assim, de modo a cuidar bem. Ele nos faz querer ser mulherzinha para poder ser contemplada com ternura, em um sábado de manhã, naqueles atos que só os apaixonados são capazes de fazer. Por isso que eu adoro o Xico Sá. E acho que todas nós merecemos um exemplar desse . Porque merecemos ser tratada bem. E lembrar do que é viver com delicadeza... Conheça o trabalho do Xico Sá.
Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 18h12
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Das coisas mal resolvidas

Fui tomada por uma loucura súbita, daquelas que tomam conta da gente quando a gente faz uma merda bem grande.
Estou longe de sentir amor, paixão e essas coisas que sabemos que acontecem quando se conhece as pessoas.
Mas estou com uma vontade louca de coisas interrompidas e inacabadas. Uma vontade louca de você, da sua mão e da sua delicadeza, quase rude. Tenho uma vontade louca da rapidez de seu raciocínio e de me deixar me perder um pouco mais, de forma completa.
Tenho vontade do desconhecido, do arriscado, do riso, do estranhamento.
De me sentir despida quando alguém, de repente, descobre a minha verdade. Quem eu talvez seja naquele momento. Não se trata de roupas, de nudez.... talvez se tratasse de pele. Mas não é só isso... Tenho vontade de ser desafiada e despida.
E eu vou olhar pela janela, tentar espantar o frio e lembrar de você mais um pouco, enquanto procuro alguma bebida para esquentar o corpo e a mente.
Não se trata de saudade, aquele sentimento melancólico das coisas já vividas, dos sorrisos trocados, dos desejos resolvidos. Trata-se do desejo pelo desconhecido.
Do desafio.
Da coragem.
Trata-se de querer vc!
Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 12h17
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Quando tirar a roupa é mais fácil que dispir a alma

Não acredito que ser transparente devesse ser uma coisa difícil lou pouco recomendada. Mas na atual conjuntura da sociedade esconder ou expor-se não é sábio, nem recomendado. Ainda mais quando se trata de sentimentos. Mostrar sentimentos é deixar-se vulnerável, transparente e nua. Sou uma pessoa que tem poucos pudores. Tirar a roupa nunca foi um problema para mim. Não que eu saia por aí como a Kátia Flávia... mas... Também sou uma pessoa bastante transparente. Daquelas que é possível ver, via expressões da minha face, se estou feliz, com raiva, triste, nervosa, ansiosa... um livro aberto. Daquelas que não sabem mentir ou esconder constrangimento e nada. Não consigo esconder meus sentimentos gerais mas, quando relaciona-se ao outro, eu fico absurdamente assustada. Por isso, desenvolvi uma incrível habilidade de conseguir esconder o que eu sinto e o que esses setimentos fazem comigo. Seja dor, seja alegria, seja tristeza, seja euforia... Sou daquelas que consegue manter a língua firmemente dentro da boca. Só não consigo segurar os dedos. E são eles que fazem a ponte do que eu sinto até o objeto do meu desejo. Sentimentos, muitas vezes desconhecimento pelo objeto. Vez ou outra, eu envio uma mensagem esclarecendo tudo. Regularmente, esses sentimentos estão descritos aqui, mas não lidos, por quem deveria ler. Ontem, eu criei coragem e escrevi um texto claro, honesto e objetivo para o meu objeto de desejo. Agora, sinto dor por ter me exposto e vergonha por me sentir vulnerável! E para completar, ansiosa por uma resposta. Mas, afinal, qual resposta se não fiz nenhuma pergunta? Só reafirmei meu desejo que, se ele tiver três neurônios, já deve ter entendido. A sorte está lançada!
Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 13h24
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Daqueles dias...

Era um daqueles dias que ela não esquecia a sensação de pertencimento. Era toda dele. Seus olhos. Seus poros. Seus pensamentos e seu cabelo molhado quando saiu de casa correndo porque estava atrasada. Era um daqueles dias que ela não sabia se jogava tudo para o alto. Se dizia coisas entaladas, verdades e mentiras que tinha inventado só para fazer aquilo mais real e mais viável. Era um daqueles dias que sonhava acordada porque, sonhando, poderia dar a direção desejada aos acontecimentos. Dirigiria o filme da sua vida. Escreveria o roteiro e evitaria a fadiga e os conflitos. Era um daqueles dias que desejava boa bebida, boa música. Boas companhias e um olhar de soslaio, como se fingissem não se desejar a todo instante. Era daqueles dias que sonhava com ele. Só com ele. Era daqueles dias que sonhava. Era daqueles dias...
Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 18h07
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Uma metáfora sobre as tragédias naturais
Vez ou outra eu tropeço, literal e metaforicamente, em pessoas encantadoras. Acho que as encontro apenas e tão somente para esfregar na minha cara a falta de controle e desorganizar minha vida e, sobretudo, minhas ideias. A última pessoa encantadora veio como esse terremoto japonês e destruiu tudo. Fez da minha sanidade, reatores atômicos avariados. Provocou uma tsunami gigantescas de emoçoes, foi embora e só restou terra devastada.
Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 21h52
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A solidão e o complexo de Lisa Simpson

Deu na Folha de São Paulo. O mundo vive uma epidemia de solidão. Me identifiquei de cara. Não porque não tenho um par. Com esse tipo de solidão já me acostumei bem. E até não ligo. É claro que, às vezes, gostaria que algo incrível acontecesse. Algo de tirar o fôlego e fazer o sangue ferver nas veias, borbulhar. Mas, isso, é só às vezes. A maior parte do tempo estou acomodada (não no sentido ruim) e acostumada com a solidão. Não. Não sou completamente sozinha. Tenho amigos. Alguns. Até porque não sou a criatura mais sociável do mundo. Saio. Vou às festas. Me relaciono com pessoas do sexo oposto e até ensaio me apaixonar, algumas vezes. Ou muitas! Mas uma boa parte do tempo, sou tomada por uma sensação de inadequação. É como se não fizesse parte desse mundo. Um anjo torto, gouche. Sempre quis ser uma pessoa boa. Me esforço o tempo todo para isso. Como se eu pudesse ser enquadrada em um programa de qualidade total. Mas tem a casca, e as pessoas não enxergam além. Sou como a Lisa Simpson, sabe? Só não quero ter que ficar burra para ter amigos. O sentimento que tenho é de que as coisas pelas quais eu me interesso, não tem importância. Como se tudo fosse irrelevante e totalmente inadequado. E aí, eu fico cheia de coisa incríveis para dizer, sem ter com quem compartilhar. Como se fosse um grande peso. Segundo a reportagem, pessoas solitárias tendem a dormir mal porque estão sempre em estado de vigília, porque precisam se defender. Eu sempre tive essa consciência. E para algumas pessoas, isso pode ter parecido um rompante de egoísmo, mas sempre soube que se não olhasse por mim, ninguém mais iria fazê-lo. Clique aqui para ler na íntegra. E aí, criou-se uma casca dura e um medo internalizado porque as feridas sempre vem. E a gente se equivoca na escolha das nossas companhias – de uma maneira geral - e fica frágil. E mesmo assim, as pessoas não entendem aquela casca grossa. Mas que só é grossa para proteger a doçura e não deixar que seu espaço seja ocupado pela rudeza, pela dureza. As pessoas param ali... Termino o texto com uma das minhas citações prediletas retiradas do filme Peixe Grande, do Tim Burton: “Muitos considerados maus e ferozes são apenas tímidos sem traquejo social.”
Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 16h46
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Desejos em série

Hoje eu quero uma lâmpada mágica, sem limites de desejos. Como que um cartão de crédito ilimitado dos desejos intangíveis. Dos sonhos grátis. Da imaginação e da viagema. Hoje eu quero correr contra o vento. Quero muito vento no rosto. Quero me perder, sem ter chance de me encontrar. Quero divagar sobre o nonsense. Quero dançar vestida de abelha E quero chocolate quente, mesmo que o tempo esteja morno. Sorvete de flocos e passas ao rum. Pizza de pepperoni com catupiry (porque sou dada a gordices). Cerveja gelada. Entardecer. Banho morno. Livros. Revistas. Música alta. Hidratantes e outros creminhos para o corpo. Vestido novo. Calcinha colorida. Unha feita. Esmaltes. Perfumes. Maquiagem coloria. Bota de cano alto. Meia-calça Rock and roll. Noite alta. Lua cheia. Balanço na rede. Cobertor quentinho, se eu estiver com frio. Vinho. Velas. Voz no ouvido. Abraço. Rir até chorar. Beijo na nuca. Sangue na veia. Beijo na boca. Falta de fôlego. Madrugada em silêncio. Você. Você. Você.
Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 17h24
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Por completo

__ O que eu faço com essa paixão louca que eu estou sentindo hoje? Foi isso que ela pensou, quando saiu de casa. Chovia. A rua estava vazia. E o peito cheio. Ela queria gritar mas não podia, porque ela também queria ser ouvida. A menina se pautava nas lembranças e se agarrava àquela fumaça com toda a força que conseguia. Porque, aos poucos, tudo ia se esvaindo devagarinho. E quando mais o tempo passava, maior o aperto no peito. Ela se agarrava às lembranças que não tinham cheiro e nem gosto e eram só imagens de poucas cores que ficavam turvas. Ela se sentia louca, enquanto pensava em diálogos hipotéticos, nos quais diria as coisas que ela deveria ter dito há tanto tempo. A primeira coisa seria que ela NUNCA tinha gostado instantaneamente de uma pessoa, como tinha gostado DELE. E isso era muito difícil. Ela não era dessas que gostavam das pessoas com facilidade. Quase nunca. E ela ainda pensava nele, apesar do tempo. Mas era tudo por causa do desconforto. Ele a deixou sem respostas. Ele sempre a deixava sem jeito. Ela derramava caipirinha na perna, sempre que olhava profundamente naquele olho escuro que insiste em agir com distanciamento. Ela queria gritar porque estava se sentindo loucamente apaixonada. Ela queria beijo na nuca. Ela queria beijo na perna. Ela queria falta de fôlego e coragem para chegar viva no final daquilo tudo. Ela queria cinismo. Ela queria ironia. Ela queria sinapses rápidas. Ela queria voltar para ele, porque quando estavam juntos ela se sentia dele, completamente. E era bom pertencer a alguém. Porque ele, era daqueles que as tomavam como suas, mesmo que por uma noite. Ele as tinha por completo, enquanto envolvia com os braços fortes. E ela queria se sentir completa. Toda. Ela queria ele. E não tinha como gritar.
Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 15h36
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