A morte de Michael Jackson ou quando o mito vira mito.
O pop – esta entidade supra musical que permeia a indústria fonográfica - nunca mais será o mesmo. Já não era desde o advento solo de um americano chamado Michael Jackson. Ontem ele se foi. Fica a lacuna de uma pessoa genial que revolucionou a música e o modo de fazer espetáculo na segunda metade do século XX. Muita gente não deve entender porque hoje, essa sexta-feira cinzenta no Rio de Janeiro, é um dia triste. Muita gente não teve a sorte de acompanhar o brilhantismo do Michael. Escrevo este texto comovida, ainda sem acreditar na partida do cara que contou a história de Billy Jean e que caminhava por aí dizendo que ele era o “THE ONE.”. Eu não devia ter mais do que seis anos quando o clipe da música Thriller, um épico do videoclipe, estreiou no Fantástico. Eu tinha medo dos zumbis e me escondia atrás do meu irmão. Víamos esse clipe acompanhados da nossa vó e da nossa bisa. Essa imagem nunca saiu da minha cabeça. E sempre me lembro dela, quando me recordo do rei. Em um mundo em que ídolos pop são produzidos em sequência e em grande escala e que o único mérito é obedecer o empresário, os seguidores dessas pessoas, certamente, não conseguem entender a razão da comoção. Primeiro, o Michael foi o cara que inventou o “moonwalker”. Aquele passinho infinitamente imitado mundo afora pelos com e pelos sem talento. O clipe Bad – do vinil homônimo – foi dirigido por ninguém menos que o Martin Scorcese. Hoje, a não ser mediante a uma quantia absurda de dólares, eu duvido que o diretor de Táxi Driver e Os Infiltrados, se dê o trabalho de dirigir um desses astros. Ele também foi a trilha sonora da infância de muita gente, como eu. E as músicas dos Jackson's Five? Remetem a uma ingenuidade e um tempo feliz, que não volta mais. Assim como o Rei. Polêmicas à parte, existirão aqueles que o chamarão de excêntrico ou pedófilo, Michael Jackson terá sempre o seu lugar marcado na história. Vai deixar uma lacuna e uma legião de fãs órfãos do seu talento, de sua inventividade e das suas canções. Para sempre, THE ONE...
Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 15h04
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Conto inacabado - parte IX
O mar parecia uma esmeralda líquida. Depois de muito tempo, ela retornava a praia onde haviam se visto pela última vez. A despedida foi bem triste porque ela não saberia se veria o príncipe novamente. Era a mesma praia onde o último beijo espantou o frio do banho de mar gelado. Todas aquelas pessoas, todos aqueles rostos. Nenhum, ao mesmo tempo todos, remetia ao príncipe. Ela olhava a imensidão do mar e desejava ser a água que, certamente, envolveu por bastante tempo o corpo dele, queimado de sol. Podiam estar bem próximos. O reencotro poderia acontecer a qualquer momento. Talvez ela tivesse sido envolvida por uma pontada de ansiedade. Por outro lado, ele, o principe estava perdido em seu silêncio. Ele estava envolvido em seus pensamentos distantes. Mas eram apenas estrelas... e ela. Mas ela não sabia disso. Não podia imaginar. E ficava triste com o silêncio e a ausência que havia se transformado a história deles dois. Ele parecia não se importar.
Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 16h41
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Críticos de Cinema Choram?
Hoje fui à cabine de imprensa do "Jean Charles, o filme". Cabine de imprensa é o evento que as distribuidoras promovem para que os jornalistas vejam os filmes antes da estreia com tempo suficiente para produzir as críticas. Eu fiquei feliz de ir. O filme é bastante simples e o Selton Melo é sempre bom. Mas a história é triste. Para quem, como eu, veio de uma cidade onde os problemas da imigração são tão constantes sabe o que é a dor dessas pessoas. Eu me peguei chorando no filme. O que aconteceu com o Jean charles poderia acontecer com qualquer amigo ou parente meu. Vários são emigrantes ilegais. E acho que nenhuma daquelas pessoas que estava ali vão entender essa dor. Todas vão para Londres ou Nova Iorque por prazer ou porque é cult ou porque podem mesmo e não vão entender o drama de ser ilegal e tentar levar uma vidinha menos ordinária. Eu chorei porque a história é triste, os culpados não foram punidos e fiquei pensando se os críticos de cinema que eu leio no jornal semanalmente choram também? Será que o olhar deles é tão técnico que eles são incapazes de se emocionar? Será que eles acreditam que o ato de emocionar pode comprometer a avaliação do filme? Porque sempre vemos essas figurinhas como pequenos demônios que relegam os filmes ao fracasso, ao ostracismo, ao esquecimento...
Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 19h35
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Diálogo na locadora.
___ Acho que você deveria devolver o sorriso que eu te dei. Disse ela. ___ Desculpe, estava distraído. Já está devolvido. ___ Como se chama? ___ Gustavo e você? ___ Letícia, a menina que tem luz no nome. ___ No nome e no olhar. Sorrisos e um silêncio bem longo. __ Qual filme você veio alugar? __ Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças. Não me canso de ver esse filme do cara que escreveu Adaptação. __ Eu estou procurando pelo Rock Balboa. Saudades da infância. __ Meu corredor é este. __ Acho que vou seguir em frente. __ Acho que vou te acompanhar. __ Que tal vermos nossos filmes juntos? __ Na minha casa ou na sua? __ No DVD do carro.No parque. Aproveitando o sol. __ Sol, pipoca e o ventono rosto. Nada melhor do que isso. __ Combinamos assim.Daqui a 10 minutos na porta da locadora. Saíram felizes. Ouvindo Beatles e sem medo do futuro.
Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 17h37
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Desabafo
Era um dia frio, cinza e triste. Você apareceu com sua foto que transitava entre uma caricatura da sua bela imagem e uma conversão fotográfica do quadro “O grito”. Puxei assunto de propósito. Você me deixa embasbacada mesmo. Eu fico trouxa por sua causa. Idiotizada e não tenho vergonha de dizer isso, embora você não entenda como ou o por quê de provocar essas naturezas de sentimentos. Mas você provoca. E às vezes, provocamos nas pessoas coisas, sentimentos, sensações que não queremos. E você me chamou de tola e foi como se tivesse destruído a minha maior obra. O meu maior legado. Meu maior castelo. Porque você não entende o país no qual eu nasci. E também não entende as crises existenciais que temos que administrar por viver em um país como o meu. E também não entende porque eu passei a minha vida tentando não ser tola. Tentando não ser burra. Tentando não ser medíocre. Tentando ter senso crítico e criar a minha própria visão de mundo e meus próprios referenciais. Igualzinho a você que lê um monte de coisas e depois cria a sua própria filosofia. E você me chamou de tola. E foi como se meu mundo tivesse caído, igualzinho como na música da Maysa. Tola. A única coisa que não quis ser na vida. Porque eu nunca quis ser a menina mais bonita, nem o centro das atenções, nem a gostosona do pedaço. Eu sempre quis ser a menina que pensa. A que tem coisas interessantes a dizer. A que sabe tanto de política, quanto de futebol ou de sexo. E eu, para você, virei tola. E como eu te disse, foi a coisa mais triste de ler em um sábado chuvoso. Poucas coisas me fariam chorar nesse momento e você me achar tola foi uma delas. Queria te dizer menino bonito, que eu não sou tola. Mas sou bastante corajosa de assumir que você me deixa embasbacada mesmo e que eu fico tola diante da sua presença que tanto me constrange. Perto de você eu fico tola. Mas é isso que acontece quando as pessoas se envolvem. Eu fico tola... falo besteiras como dizer que eu te admiro, ou que você é o menino mais bonito do mundo. Sou tola, porém corajosa. Sou tola, porém honesta. E seria bonitinha, mas ordinária também. Rs
Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 15h46
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Uma noite na zona sul.
Um flyer e a promessa de uma noite inesquecível no Leblon. Famoso bairro do Rio de Janeiro com uma considerável quantidade de gente bonita e abastada. Até o tal príncipe mora por ali. Ou seja, tudo de melhor poderia acontecer quando você pretende se deslocar para o melhor lugar da cidade, segundo os ricos, bonitos e abastados. A crise existencial para definir o modelo das três moças coloridas – cada uma de um tom – deveria ser prenúncio de uma noite turbulenta. A falta do conhecimento geográfico do local para onde as três mocinhas elegantes se dirigiam, também dificultou o processo. Mas sempre existe a internet e sempre existem mapas para indicar como chegar. Saíram atrasadas como não poderia deixar de ser. Chegaram aos 48 minutos do segundo tempo. A sensação de estranheza era muito grande. A sensação de não pertencimento tomou conta das três mocinhas elegantes e com modelos da moda. Era engraçado. Depois do atraso, o primeiro baque da noite. A peça estava fora de cartaz. O flyer, gratuito, não serviu para nada. As três continuavam sem saber se se enquadravam. A saída foi ir ao Supermercado para pensar. Supermercado da Zona Sul. Parada para fotos. Dois minutos para pensar. E nenhuma alternativa. Novamente, a saída foi voltar para o bar. Um ator da Record para deixar a noite um pouco mais digna. Voltamos. Com nosso modelo amassado e o rabinho entre as pernas. A noite, literalmente, acabou em pizza.
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 19h54
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Conto inacabado - parte VIII
Aquela despedida na praia foi a pior despedida da vida dela. A separação naquele fim de tarde, deixara o coração dela cheio de um imenso vazio. Ela não queria acreditar que talvez não se vissem novamente. Naquela manhã de chuva e frio, tempos depois do encontro, ela se recostava na janela lembrando daquela tarde, daqueles momentos, daquele beijo e dele, o príncipe. Naquela manhã de chuva e frio, ele se preparava para mais uma aula, para mais um seminário, para mais livros. A lembrança dela se fazia presente com uma certa delicadeza e uma pitada de saudade. Não sabia a razão pela qual haviam se distanciado. Não sabia o porquê havia optado pelo silêncio e o abismo entre eles. Sabia que sentia falta, mas a vida estava por demais atribulada. Sempre deixava o contato para daqui a pouco e só ampliando a distância entre eles. Também sentia falta. Só não sabia como dizer a ela, ou como se reaproximar. Ela, olhando a janela, também pensava em como reatar o contato, perdido em um fim de tarde na praia. A lua estava cheia. Talvez fosse prenúncio de alguma coisa. Não saberiam.
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 20h04
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Quando é primavera, mesmo no inverno?
Acabei de ler “Espere a Primavera, Bandini”. Foi um dos livros mais tristes que li na vida. Era inverno e nevava e a vida não tinha perspectivas de melhora. Parece até comigo. Mas meu inverno tem céu claro e azul e o ar é ligeiramente gelado. Aos 14 anos, Arturo Bandini já era um louco passional pelas coisas/pessoas. Ainda não sei o que motivou o pobre filho do pedreiro a se mandar para a Califórnia com seu sonho de se tornar um grande escritor na mala. Apesar de triste e frio, o livro me pareceu um canto de louvor à esperança (ou à primavera). Tudo ficará melhor quando a primavera chegar. As montanhas passarão pelo degelo. As árvores e a grama gritarão em verde intenso e haverá flores e transformação. Não sei o porquê, mas inverno é sempre mesmo triste. Estou como Bandini, esperando a primavera...
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 22h30
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Feliz Ano Velho
Não sei se estou em um momento muito sensível da vida, mas o fato é que eu tenho tido vontade de mandar emails passionais para as pessoas. Dessa vez eu não estou bêbada, como foi da última, na qual eu escrevi coisas absurdamente belas para um belo desconhecido que adentrou na minha vida. VERGONHA... mas é a velha tática do caminhão desgovernado na descida. Hoje fui tomada por um sentimento passional pelo Marcelo Rubens Paiva. Eu sei, isso já era para ter acontecido, mas é que eu ainda não tinha lido o “Feliz Ano Velho”. Falha minha. Tenho ciência, mas não se pode fazer tudo corretamente o tempo todo. Li o livro em um dia. E foi a melhor coisa que fiz. Primeiro, porque me trouxe boas lembranças da minha adolescência. Me perdi nas vezes que vi entrevista do autor em programas para a minha faixa etária da época. Era o “Programa Livre”, do Serginho, no SBT. A imagem é bem nítida em minha memória. Eu devia ter uns 12 anos, acho. Sempre falavam dele e do livro “Morangos Mofados”, do Caio Fernando Abreu. Também não li, mas já vi algumas capsulas que me fazem ter vontade de ler. O fato é que eu devia estar nascendo quando tudo aquilo aconteceu com o MRP. Não achei o estilo narrativo fantástico. Me incomodou um pouco, na verdade. Tive que me despir de preconceitos. Como disse um amigo, eu preciso parar de ler as coisas, tendo como parâmetro a atualidade. Mas é bom identificar estilo de uma época, num texto literário. É bom também perceber como algumas coisas mudam e como outras não. Por exemplo, fumar maconha hoje ainda é “dar uma bola”. Mas hoje, um beijo de língua não significa namoro. Na verdade, não significa nada....rs rs rs Confesso que ao terminar o livro, fui tomada por um sentimento de ternura e uma vontade tão grande fazer perguntas para ele. Ele escrevia sobre o nascimento do PT e esperança que um partido dos trabalhadores traria naquela época de anistia. Falava do Eduardo Suplicy e dizia-se filiado ao PT. Será que ele ainda tem aquele orgulho do partido hoje? Fiquei surpresa também com a citação sobre o Arrigo Barnabé. E gostaria de perguntar ao MRP como é hoje, ver a história da cultura acontecer e ser integrante dela. Deve ser uma loucura topar com uma pessoa, que depois, mesmo que não saibamos nada sobre o futuro, vai se tornar referência naquilo que faz. Tipo ser protagonista mesmo da história. Ao terminar o livro, tenho certeza de que o mundo perdeu muita coisa, o que me deixou triste. Perdemos ideologias e ingenuidade. Perdemos esperança. Mas ao mesmo tempo, não... Porque o livro é o relato de um jovem que vê sua vida mudada por completo e mesmo assim não se abate. Se adapta e está por aí fazendo arte e literatura, como pude constatar numa visita rápida nos caminhos do google. “Feliz Ano Velho” é uma excelente narrativa de como encarar a vida, sem perder a esperança. Se adequar a ela sem amargura. Agora eu entendi o sucesso e tudo aquilo que não fazia o menor sentido para mim, quando eu tinha 12 anos. Hoje, aos 28 faz.
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 20h37
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Carta ao príncipe
Querido príncipe, Esse email é resultado de todas as minhas divagações insones e solitárias. Ele é resultado de tudo que está apertado aqui dentro de mim, querendo gritar bem alto. Mas eu estou pensando que não faz o menor sentido trocarmos email porque nós nunca fizemos e mandar um email dizendo coisas eloqüentes e passionais para uma pessoa com quem temos um relacionamento médio educado, é absolutamente insensato. Mas, mesmo assim, eu gostaria de dizer que você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida no momento. É verdade que não aconteceu nada demais, mas foi o melhor até agora. Vou confessar também que pouco me interesso sobre nossas conversas científicas. Estou me lixando para as coisas que você sabe sobre ciência, física ou filosofia. Isso não me interessa nenhum pouco. Aliás, talvez filosofia interessasse em algum outro momento da vida, mas neste momento, não me incomodo nem com o seu português mal aprendido e mal escrito. Simplesmente porque você é a coisa mais bonita que me aconteceu na vida. De tão belo, é quase sublime. Não sei se já tive vontade de chorar diante da sua beleza, mas ela me comove profundamente. Eu queria te dizer isso. Eu queria te dizer que é por isso que penso tanto em você. E é por isso também que eu te chamo de príncipe. Se eu tivesse direito a um conto de fadas moderno, o meu príncipe teria exatamente o seu sorriso e seu cabelo e sua camisa azul de malha. Ou qualquer outra de cor intensa, do Almodóvar. Se eu tivesse direito a um príncipe encantado ele seria você. Você e sua polidez, sua gentileza. Sua safadeza. Sua delicadeza. E tudo mais que me deixa confusa, escrevendo coisas absurdas como essa e que eu não enviarei. Não te enviarei porque não faz sentido. Porque, provavelmente, eu nunca mais verei você. Nunca mais nos encontraremos. Nos falaremos esporadicamente. Nos distanciaremos e as coisas se perderão como elas sempre se perdem. Mas eu precisava te dizer isso. Adeus!
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 21h12
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Conto inacabado - parte VII
Era estranho sentir saudades do nada. Duas ou três prosas trocadas virtualmente. E ela sentia tanta falta. A menina ocupava sua existência apenas com sentir falta. Ela via aquele sorriso virtual e sentia falta. Ela não lembrava da voz ou do cheiro, mas, mesmo assim, sentia falta. Já havia passado muito tempo desde o último encontro. Ele comentava sobre mudanças. E ela guardava as suas mudanças, que talvez os afastassem para todo o sempre, amém. Ela queria gritar. Ela queria acreditar no conto de fadas e no príncipe moderno e distante. Mas ela já não tinha mais forças. Nem para sonhar. Não poderia esperar pela lua cheia.
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 19h11
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Conto inacabo - parte VI
Os dois se abraçaram, tentando trocar o calor dos corpos. A água estava ligeiramente gelada... Teriam que se despedir em breve, sem a certeza do reencontro. A cabeça dela fervilhava diante da quantidade de pensamentos que aconteciam ao mesmo tempo. Na dele, o silêncio referente a dúvida. Não sabia se daria o próximo passo. Ou ainda como daria o próximo passo. Ele também estava confuso. Uma profusão de sentimentos tomavam conta dele, o príncipe sem realeza. Parecia indiferente e distante. Falaram pouco. Se despediram com um beijo curto. Foi cada um para o seu lado. Não sabiam quando seria a próxima vez, nem se haveria próxima vez
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 19h37
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Conto inacabado - parte V
A brisa batia e emaranhava os cabelos da menina. Ele afastava com delicadeza a mecha que impedia que os dois se olhassem nos olhos com firmeza e profundidade. Passaram a maior parte do tempo em silêncio. Alguma coisa havia se desconectado. Algum fio para além do corpo físico. O tesão continuava lá, fazendo com que os dois corpos se mantivessem próximos, o quanto possível. Ela olhava para ele, ainda confusa com a profusão da beleza e do sorriso. Ele, pensativo, dividia seu olhar entre os olhos da menina e a cor do céu no por do sol. __ Quando olhamos para o céu, olhamos para o passado. Ele concordou com a cabeça. __ Isso é válido só para quando olhamos as estrelas, ou também para o céu do sol? Quando ele ameaçava responder, veio uma onda maior do que esperada e lambeu os dois com sua língua gelada. O assunto se perdeu. Os dois se encontraram no maior beijo e mais terno que eles poderiam ter trocado numa tarde de por do sol. Sorriram. Ela e o príncipe.
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 01h10
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Conto inacabado - Parte IV
Os dois se encontraram. A conversa começou tímida, sem olhos nos olhos, sem mãos nas mãos. Era fim de tarde e os dois estavam, lado a lado, na praia. A canga estampava a calçada da famosa praia. Estavam lado a lado e os dois estavam tímidos. Ela olhava a imensidão e infinitude do azul, onde o azul do céu e do mar se encontravam. __ Eu senti sua falta. Suspirou a menina. __ Dias corridos. Disse o príncipe sem realeza e sem cerimônia. __As coisas estão complicadas, emendou ele, referindo-se aos estudos que haviam se intensificado. __Você é um príncipe, disse ela sorrindo. Ele limitou a sorrir de volta. __ Você é um príncipe que foge da realeza e da cerimônia. __ Eu não sou. Sou apenas um estudante de fora do país. Já estava acostumado com as divagações dela. Ela já o havia classificado como ser mitológico, personagem de filmes. __ É que você fala tão pouco. Se abre tão pouco. Eu sei tão pouco de você e isso não me satisfaz. |Tenho que inventar quem você é. Ele se limitou a sorrir seu maior e mais belo sorriso. Eles tinham se encontrado e a história começava novamente.
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 16h47
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Conto inacabado - parte III
A lua estava cheia. E entre eles havia o silêncio. O silêncio e a distância. Ela tinha um bloquinho carregado de todos os assuntos que falariam, se se falassem. Ele era o príncipe e estava em silêncio, com suas contas e suas divagações sobre o céu. A lua estava cheia e entre os dois havia o silêncio. Ela queria falar. Ela queria tocar. Ela queria sentir. E ele, o príncipe do belo sorriso e do cabelo moderno, estava distante. Ela queria romance, enquanto ele procurava a próxima. Ela não gostaria de desistir, mas gastou seu fôlego correndo atrás de outro rapaz que não lhe deu bola, idéia ou valor. Agora queria o príncipe e ele estava calado e distante. No seu computador, na janela, ele furtava a internet. Era um príncipe sem realeza e sem cerimônia. Ele não sabia, mas ela já escrevera toda a sua história. Ele era um príncipe que fugia de toda realeza, de toda cerimônia e do frio. Descobriu tudo isso, naquela noite, sentados na praia olhando a lua e divagando sobre as estrelas. Ele era príncipe e fugitivo. Ela sabia... Ele não queria dizer.
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 19h19
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