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Primavera
Eu tenho um amigo sensível para as coisas do universo. Ele disse que seria na primavera. E eu, uma pessoa que não tem paciência para esperar as coisas e nem para conviver com a dúvida, acreditei. Acreditei porque a perspectiva era positiva e boa, e precisamos de perspectivas positivas e boas para mudar um pouco a vida. Para dar a ela um pouco de luz, brilho e um pouco de cor. O inferno astral provoca momentos incômodos, mas sempre com a expectativa de que alguma coisa boa acontecer... Eu estou como o livro... “Esperando a primavera, Bandini...”
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 11h27
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Sobre o amor e a vida...
Muito tempo, muita história depois e você ainda se surpreende com a vida, com as palavras e com as pessoas.
Desabituada a doçura humana, você surpreende quando aquele sujeito que você amou “com a intensidade de mil sóis”, (por quem você chorou diversas e diversas vezes - de amor, de raiva, de saudade, de remorso, de vergonha -...) lhe diz a coisa mais doce que você poderia ouvir, em um momento milindroso da vida.
As coisas não andam nada bem no profissional e no pessoal você se sente feliz porque tem amigas boas e generosas. E ele chega, em um momento despretensioso e diz a coisa mais linda que você poderia ouvir e você fica triste e pensa: “O que será pior: um amor não correspondido ou um amor recíproco que a dona vida já encarregou de dizer que não poderá?” Você pensa e fica chorosa e tenta acreditar que aconteceu e que foi bom e que ele é doce, mas o fato de ele não poder ser seu e não caminhar de mãos dadas e não sorrir e não afagar dá uma pontadinha de tristeza.
Você decide que aquele foi o diálogo de amor mais triste da vida.
Mas você está feliz e fica lembrando dele dizendo que a vida seria ruim sem você, apesar de ele ter acreditado que não queria ter te conhecido (e pedido perdão por isso). E reafirma o amor que existe entre vocês e que é recíproco.... Por isso, eu choraria se tivesse coragem.
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 13h02
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Boa, Amy...
"Enquanto a idéia por trás do álcool tem muito mais a ver com ‘oi, sou eu. Ah, eu te amo, vou deitar no meio da rua por você. Não estou nem aí se você nunca olhar para mim, eu sempre vou te amar."
Da Amy Winehouse na Rolling Stones...
De mim, para você...
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 12h59
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É sempre assim.
A música, agitada e feliz, tenta esconder a tristeza dos meus olhos.
O sorriso, forçado, na boca pintada de vermelho, tenta esconder a tristeza que toma conta de mim.
Só ontem me dei conta de que estou sofrendo e tive vontade de chorar por tudo.
Mas eu não tenho coragem. Embora eu queria profundamente isso.
“Meus olhos embotados de cimento e lágrimas...”
O céu cinza e a promessa de frio em momentos próximos.
E eu me lembrando de você sorrindo, enquanto me dizia que eu gostaria de ser a “Tempestade”, para poder controlar o tempo e oferecer sempre, um céu com todas as intensidades de azul que eu pudesse conseguir.
No mais, vazio e saudade...
Mas quem se importa no fim?
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 12h17
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considerações reticentes...
Bom seria se nossa vida fosse como o computador.
Um belo dia, em um belo momento de ociosidade, abriríamos aquela antiga pasta, com aqueles antigos arquivos, leríamos um por um, enquanto pesaríamos o que vai e o que fica.
A vida é prática, mas não muito.
E sentimentos não são documentos antigos e descartáveis.
Eles são criados/cultivados e tomam conta da gente.
Um dia, desnecessários, não sabemos como descartar. Ou não sabemos como guardar.
Já deletei boa parte dos meus arquivos. Mas não sei descartar o sentimento.
Ainda não consigo entender como tudo isso tomou a proporção que tomou. Assumo que extrapolei em certos aspectos, mas havia coisas maiores do que isso.
Havia uma amizade consolidada, trocas de confidências, cumplicidade, afinidade... e isso se foi. Há mágoa. Aqui e aí. E um não saber lidar com isso.
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 21h14
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Bem no Fundo Paulo Leminski No fundo, no fundo, bem lá no fundo, a gente gostaria de ver nossos problemas resolvidos por decreto a partir desta data, aquela mágoa sem remédio é considerada nula e sobre ela o silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso, maldito seja que olhas pra trás, lá pra trás não há nada, e nada mais
mas problemas não se resolvem, problemas têm família grande, e aos domingos saem todos a passear o problema, sua senhora e outros pequenos probleminhas.
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 21h14
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Musiquinha tema de hoje
The End (Jim Morrison)
This is the end Beautiful friend This is the end My only friend, the end Of our elaborate plans, the end Of everything that stands, the end No safety or surprise, the end I'll never look into your eyes...again Can you picture what will be So limitless and free Desperately in need...of some...stranger's hand In a...desperate land ?
Lost in a Roman...wilderness of pain And all the children are insane All the children are insane Waiting for the summer rain, yeah There's danger on the edge of town Ride the King's highway, baby Weird scenes inside the gold mine Ride the highway west, baby Ride the snake, ride the snake To the lake, the ancient lake, baby The snake is long, seven miles Ride the snake...he's old, and his skin is cold The west is the best The west is the best Get here, and we'll do the rest The blue bus is callin' us The blue bus is callin' us Driver, where you taken' us ?
The killer awoke before dawn, he put his boots on He took a face from the ancient gallery And he walked on down the hall He went into the room where his sister lived, and...then he Paid a visit to his brother, and then he He walked on down the hall, and And he came to a door...and he looked inside "Father ?", "yes son", "I want to kill you" "Mother...I want to...fuck you"
C'mon baby, take a chance with us X3 And meet me at the back of the blue bus Doin' a blue rock, On a blue bus Doin' a blue rock, C'mon, yeah Kill, kill, kill, kill, kill, kill
This is the end, Beautiful friend This is the end, My only friend, the end It hurts to set you free But you'll never follow me The end of laughter and soft lies The end of nights we tried to die This is the end
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 11h43
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Declarações
Eu queria que você entendesse que você é perfeito nas suas imperfeições.
Você é lindo, com seu nariz torto e seu excesso de peso. (Sugiro que pratique esportes e sexo (de verdade e comigo) para liberar as endorfinas e você se sentir melhor).
Queria que você entendesse que você é um sucesso. Porque superou todas as barreiras, todas as previsões erradas, todos os desejos que você desse errado.
Gostaria que você soubesse que é um excelente pai e que seu filho se orgulha de você, embora seja muito cedo para saber.
Também quero que você tenha ciência de que você é um homem de sucesso, que faz seu trabalho e que merece muito mais do que você recebe. Mas isso e o reconhecimento virão, mais cedo ou mais tarde.
Um outro desejo meu é que você entendesse que não precisa viver conforme a expectativa dos outros. Viva a sua. Construa a sua história não baseada em fatos reais ou vida dos outros. Construa sua história, que vai ser linda e grande, mesmo que fora dos padrões porque vai ser sua e você lutou, trabalhou, batalhou e fez tudo que precisava ser feito para que você alcançasse o sucesso.
Eu desejo – mas desejo para mim porque nem sempre sou o ser humano mais desprendido do mundo e também tenho as minhas crises de umbiguismo – que você não deseje uma família padrão comercial de margarina, para que eu possa fazer parte dela. E compartilhar suas vitórias e conquistas como uma expectadora real, não imaginária.
Para eu compartilhar a felicidade e o sucesso e ser parte da felicidade e do sucesso.
Desejo estar ao seu lado para que você se lembre que você é bom, independente do que os outros digam e falem.
Desejo estar ao seu lado para que você se lembre como é ter contigo uma pessoa que confie em você e acredite nos seus sonhos. Que não tenha mágoa, máculas e esteja disposta a seguir sempre em frente, porque a gente caminha para frente.
Desejo que você entenda a razão daquele “eu te amo”, que é verdadeiro e honesto e que pode ser compreendido como uma bomba, ou desnecessário, ou falso ou sem sentido, mas que é tudo que eu sinto por você.
Gostaria que você soubesse que eu tenho convicção de que as coisas não serão fáceis, se você acreditar que elas podem acontecer comigo.
Preciso que você se lembre que eu tenho coragem - para o sim e para o não – de enfrentar todas as coisas que repito, não serão fáceis. Mas estou aqui e sou forte e corajosa por você.
Gostaria que você soubesse... e tivesse certeza de que eu não vou fugir.
Gostaria que você soubesse que eu o amo. E amar significa não idealizar. É ter convicção dos defeitos (e aceita-los) porque eu também os tenho. Que amar não é criar expectativas em torno de comerciais de margarina. Que é estar ao seu lado quando você brilhar e entender todas as suas angústias e não fazer delas um trampolim para minha salvação, porque nós vamos nos salvar juntos, de um jeito ou de outro.
Gostaria que você lembrasse que é bom.
Que eu gosto de você do jeito que você é.
Que você especial mesmo que todos digam o tempo todo, o contrário.
Você é especial porque é corajoso de escrever sua própria história e fugir desses roteiros medíocres que estão traçando para você o tempo todo. Seu roteiro será grandioso, porque será seu. Eu gostaria que você soubesse que vou ficar por aqui, guardando as minhas e as suas angústias esperando que você entenda... que eu te amo.
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 19h16
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Waly Salomão em prosa, verso, discurso...
Por: Cássia Ferreira Andrade
O que menos tem dentro do “Armarinho de Miudezas”, livro de Waly Salomão revisto, revisitado e relançado em 2005 – dois anos após a morte do poeta baiano -, são miudezas. A obra, uma compilação de poemas, ensaios, textos escritos ou declamados pelo autor, nas décadas de 1980 e 1990, mostra que apesar de ter sido galgado dentro do importante movimento contracultural brasileiro, que foi a Tropicália, Salomão (sua língua, sua pena) não ficou parado.
Nas 153 páginas do livro, o poeta tece comentários sobre a Tropicália, seu companheiro Torquato Neto, sobre a Semana Moderna entre outros. Uma séria de “miudezas” que não escaparam do armarinho que sempre foi o olhar observador de Salomão. Mais do que integrante de qualquer movimento ou agitação cultural, Waly coloca-se como parte pensante e crítica da situação, sem deixar de ser o poeta de língua afiada e sagaz.
A alma inquieta do poeta, que sempre abriu mão de qualquer rótulo, porque sempre viveu fora, numa espécie de “drop out” como o próprio comenta. Embora inserido, sua visão de mundo, de arte e de movimento era de quem estava de fora. O fato de pertencer, não limitava o olhar aguçado, a crítica. O ponto de vista de quem se sentia preso com os rótulos, por isso abria mão deles.
No texto “Contradiscurso: Do cultivo de uma dicção da diferença” ele afirma que, diante do discurso do sociólogo Carlos Alberto Messeder Pereira, sobre os anos 70 sentia-se um fóssil, quando sempre se pretendeu um míssil. Para frente é que se anda. “Viver é diferente de recordar”, afirma ele na página 137 do livro.
E vai mais além, afirmando que: “Não posso idilizar a produção dos anos 70, não posso nem creditar tal impacto de reentrar na moda. Reentrar na moda é uma forma decaída de ela se instalar no mundo, porque suas exigências eram que os delírios e o mundo pudessem se casar, era essa vontade e a pulsão mais profunda nos melhores, no melhor dela, no ponto mais alto dela.” (página 139)
Sobre o Tropicalismo, esse senhor movimento que completou 40 anos em 2007, Salomão destacou que o grande impacto foi o rompimento do pensamento linear, privilegiando as interconexões, “encruzilhadas de sugestões”. Também destacou o movimento como um importante período de sensibilidade, no qual a agitação provocada pode ser caracterizada pela culminância.
O livro é uma excelente oportunidade de conhecer um pensamento distinto e inquieto de um poeta que trabalhou contra a mediocridade e sempre se colocou em favor da arte e da cultura. Ele disse que o Brasil não tem vocação para mediocridade. A obra de Salomão também não.
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 17h31
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Amar deve ser bom
Ela tapava a boca e o celular com a outra mão. O ônibus estava cheio e a cada parada mais gente entrava. Mais ouvintes. Mais espectadores para testemunhar o amor. Pura e simplesmente, o amor. Ela era negra, tinha os cabelos coloridos e pesados pelo rastafári. Usava três anéis: dois na mão direita e um na mão esquerda. E tentava abafar com mão a voz da felicidade.
Serena, relatava para ouvinte de sexo, idade e profissão indeterminados, como seria o seu dia. Mas ele sempre estava por perto, o amor. Ela falava da reunião na qual chegaria atrasada, do café tomado às pressas em uma padaria qualquer, entre as compras no supermercado. E dele, a razão da sua felicidade. Dos seus braços envolvendo o corpo, quando se encontravam para um café despretensioso no meio da tarde.
Relatava, por entre dentes, a postura altiva de quem aguarda uma autoridade. Sorria. Tentava falar baixo. Escondia mais uma vez, com a mão, o som da sua felicidade. Da sua euforia. Não sei se tinha vergonha do fato de que, diante desse mundo inseguro e violento; diante de crimes bárbaros e um dia de chuva, ela estava feliz.
Tinha encontrado o amor.
Não sabia quanto e nem como duraria. Mas tinha encontrado o amor.
Eu só ouvia. Tentava controlar o sorriso para não dar na cara que escutava a conversa alheia. Espectadora silenciosa dessa trama anônima. O amor, personagem principal. Ele pode nos fazer feliz, chego acreditar.
E me questiono: amar deve ser bom, não é?
Dou sinal, espero o ônibus parar. Desço e continuo a minha história. Amar deve ser bom, não é?
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 14h25
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Viver com dignidade
Por que não podemos chorar a perda dos amores da nossa vida com dignidade?
Por que temos que nos manter firmes, altivas, seguras e equilibradas por um amor que passou?
Passou...
Passou para ele que agora caminha altivo e feliz pelas ruas da cidade, segurando a mão de uma outra donzela que não você. Que faz carinho nos cabelos de outra moça que não você. Que transpira, que sente prazer com outra. Que constrói histórias, planos e castelos de areias com ELA e não com você.
Temos que nos convencer que somos melhores do que eles, porque perdemos o amor. E não nos permitimos chorar tudo aquilo, toda aquela dor imensa e particular. Pode até ser insignificante amanhã ou depois, mas é a sua dor e do seu amor perdido.
Então, descabele-se se você achar isso correto.
Xingue o homem da sua vida que te abandonou, que voltou para a mulher da vida dele ou que encontrou outra que o faça sorrir mais do que você foi capaz.
Sinta-se morta, pequena, perdedora se você quiser.
E vomite!
Vomite tudo...
Vomite na cara das pessoas que vão dizer todas aquelas 127 frases feitas de como recuperar a auto-estima depois de perder ele, o homem da sua vida.
Permita-se.
Permita-se sentir a perda, na mesma intensidade do amor de outrora.
Permita-se... permita-se para sentir um pouco de vida na existência miserável.
Permita-se...para você lembrar que ter alma vale a pena.
Permita-se sentir, encontrar, perder... Permita-se... Ou então, vomite a bile de uma existência medíocre, amarga e verde!
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 18h57
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Notinha...
Hoje o dia está cinza e parado. Não gosto de dias cinzas. Não gosto de dias parados. Hoje é sexta-feira e gostaria que alguma coisa cinematográfica acontecesse. Alguma coisa cinematográfica. Fantástica e romântica. Daquelas que param o coração e a respiração por alguns instantes.
Hoje é sexta-feira e o dia está cinza e parado. E eu queria "um amor desses de cinema...”
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 17h40
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Palmas, palmas, palmas
O texto, que publico nos posts abaixo, é uma análise feita no ano passado sobre o filme "Tropa de Elite". Uma humilde homenagem ao trabalho do simpático diretor José Padilha. Como espero que todo mundo já saiba, o filme acabou de receber o Urso de Ouro, no Festival de Berlim. A premiação aconteceu depois de ter deixado a imprensa perplexa e de muita polêmica.
Méritos ao Zé Padilha por fazer cinema engajado. A arte pela arte é linda e importante. Mas não podemos esquecer do seu importante papel social e tanto em "Ônibus 174", quanto em "Tropa de Elite" o diretor tentou (e arrisco dizer, conseguiu) fazer isso. A arte pode e deve ser engajada porque revoluções não fazemos com armas, mas com idéias.
Encerro por aqui. Uma boa leitura. Feliz de morar em um país que consegue produzir pessoas como Marcelo Yuka, Zé Padilha, Paulo Lins e tantos outros que ensinam e incentivam o povo a pensar. Mas o povo é tolo, só quer circo...
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 12h32
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Já pegou você?
por: CÁSSIA FERREIRA ANDRADE (JORNALISTA, PÓS-GRADUANDA EM JORNALISMO CULTURAL PELA UERJ)
Publicado originalmente no jornal Circulando, de Governador Valadares
Tropa de Elite não se qualificou para tentar concorrer ao Oscar. Bem que poderia. É um filme bem feito e que teve o dedo de gente de Hollywood. Mas isso não vem ao caso. O filme de José Padilha, polêmico antes mesmo da sua estréia provocada pela sua veiculação pirateada, trouxe consigo uma carga de violência que ultrapassou os limites da tela. Não me refiro aqui à violência policial, à tortura, aos tiros. Refiro-me ao debate.
Há muito tempo não vejo um filme brasileiro levar à comoção tanta gente. Nunca vi e nem ouvi a Polícia Militar do Rio de Janeiro ser tão ovacionada. Diria execrada também, mas isso não é novidade para ninguém, nem para mim que chegou há poucos meses no Rio de Janeiro.
Méritos para José Padilha. Ele foi o diretor que colocou o povo para pensar. Aqueles que se propõem a discutir o filme, em geral, gastam os seus cartuchos numa discussão equivocada. Como o diretor frisou no debate no mês passado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a idéia é contar a história a partir do ponto de vista da PM. Quem viu o filme de Padilha que antecedeu ao “Tropa”, o documentário “Ônibus 174”, sabe muito bem que é uma questão de ponto de vista. No documentário, o diretor escolheu contar o ponto de vista de Sandro Nascimento, o seqüestrador do ônibus - que resultou numa das maiores lambanças da história do Batalhão de Operações Especiais (Bope).
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 12h25
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continuação
Uma abordagem comum, conforme o diretor, que acredita que a tradição do cinema nacional de contar a história do ponto de vista dos excluídos, sejam traficantes como aconteceu em Cidade de Deus ou bandidos de uma forma geral - Carandiru e Pixote, a Lei do Mais fraco.
Padilha explicou também que a escolha do nome do Capitão (Roberto) Nascimento não foi por acaso. O diretor de “Tropa” afirmou que tanto no documentário, quanto no filme, a idéia é demonstrar como os dois protagonistas chegaram às suas condições, cada uma em um lado oposto da sociedade.
Sandro Nascimento viu sua mãe morrer esfaqueada. Foi sobrevivente do massacre da Candelária. Seria um dos casos, como citou Paulo Lins no livro Cidade de Deus, de que é impossível “enxergar a beleza com os olhos obtusos diante da ausência de quase tudo que é essencial ao ser humano”. Por outro lado, Roberto Nascimento está na elite da Tropa. Ocupa um bom cargo no BOPE e sua crise vem à tona quando da aproximação do nascimento do seu primeiro filho. O protagonista de “Tropa” põe-se a refletir de que a violência não é a saída para o caos urbano no qual vivemos. Isso é fato. Só a cidade do Rio de Janeiro mata mais do que um país com 300 milhões de habitantes, Estados Unidos, no mesmo espaço de tempo.
Escrito por Cassita * Todas Numa Só às 12h24
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