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Pequenas poções de ilusão

Vim para cá porque é para cá que sempre venho quando preciso dizer coisas e não tenho coragem.

Vim para cá, também, pois estou chateada porque entre o desejo e a realidade existe um abismo imenso.

Eu já entendi o problema de idealizar pessoas, mas parece que estou incorrendo no erro mais uma vez.

Mas é que é tão bom se apaixonar, pouco a pouco, pela ideia que fazemos da pessoa. Aquele momento que vamos construindo a partir de pequenos pedaços que colhemos no econômico convívio diário. Aquele momento em que montamos aquele quebra-cabeças torcendo para que, dessa vez, expectativa e realidade não sejam tão diferentes assim. Ou ainda para que nosso sonho seja feito inteirinho por pequenos pedaços de realidade...

 



Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 01h26
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Sobre a vida e sobre estar vivo

Eu estive doente. Eu estive doente de um modo que eu nunca estive. Fiquei em um hospital por uma semana. Passei pelo CTI e ainda estou em tratamento para descobri o que eu realmente tive. Quase morri, eu acho. E antes disso tudo acontecer, eu carregava uma tristeza que não podia imaginar suportar. Chorava vendo séries e só a ficção me fazia sentir um pouco mais as coisas.

 

Hoje estou melhor. Vivendo a vida com algumas restrições que são quase nada quando você imagina que poderia ter morrido. E eu tenho muito medo de morrer. De apagar e não encontrar um “Nosso Lar” reconfortante aonde minhas avós virão cuidar de mim e farão o processo de readaptação muito mais simples e menos doloroso.

 

A verdade é que eu poderia estar triste, mas não estou.

 

Ao estar sozinha, com o tempo, aprendi que não é algo tão ruim assim. E até gosto da ausência das pessoas, embora goste da consideração e do carinho delas.

 

Eu poderia estar triste, mas não estou. Embora, em alguns momentos, sinta muito mais a distância e o silêncio das pessoas. 



Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 12h28
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Sobre grifos e leitores

 

Eu deveria estar escrevendo, escrevendo e lendo notícias, mas eu só consigo pensar que ele está lendo “Ensaio sobre a Cegueira”. Ele está lendo “Ensaio sobre a Cegueira” e discutiu comigo os pormenores do texto, como a falta de parágrafos e o fato de os personagens não terem nome.

 

Ele mostrou a coleção de livros, recente ainda. Uns oito exemplares e mais um livro técnico. Queria me emprestar “Cem anos de Solidão”, mas eu já havia lido. Combinamos trocar exemplares com ameaça – minha – de briga caso não houvesse devolução. Meus olhos brilharam. Os dele brilharam de volta quando eu disse que acabava de me formar em produção editorial e que tinha estudado a cadeia produtiva do livro.

 

Ele me perguntou por que eu grifava meus exemplares e eu disse que era para colecionar citações. Na verdade, acredito que o ato de grifar serve para aproximar e, ao mesmo tempo, alongar a relação do leitor com o livro. Os grifos são facilitadores no processo de relembrar o sentimento naquele exato momento em que você leu determinado trecho.

 

 

Eu teria uma infinidade de citações para compartilhar. Mas isso é assunto para outras histórias  e outros encontros. 



Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 11h30
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Para o dia frio

Porque tem aquelas horas, ou aqueles dias, que você se dá conta de que sua vida será a vida dos não acontecimentos.

Não vai acontecer nada de incrível.

E você vai viver em um trabalho que te oferece tudo, menos coração batendo e brilho nos olhos.

E você vai esconder suas emoções embaixo da coberta porque viu um rapaz pedindo uma moça em casamento em pleno o show do Arnaldo Antunes.

E você vai acordar e ver que os rapazes que passam por sua vida são incapazes de quaisquer delicadezas e só se importam com as finalidades fisiológicas da existência, enquanto você gostaria de um pouco de poesia, só para quebrar a rotina.

E você vai olhar pela janela em um domingo cinzento, frio e chuvoso que a existência não tem muito sentido e porque você não consegue ser especial nem para o gato na rua que foge quando você passa.

E você só vai querer ir ao cinema e tentar permanecer invisível em sua existência.



Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 15h51
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Sopro

 

Então houve um dia em que eu perdi o fôlego. Naquele dia, eu tive a certeza de que a busca de toda uma vida estava encerrada. Mas eu estava enganada.

Houve um dia em que eu perdi o fôlego e hoje sou incapaz de respirar.

É como se houvesse uma grande pedra sobre o meu peito. Ou como se eu estivesse presa no caixão, enterrada viva, ou ainda como se eu estivesse a afogar. Justamente naquele instante em que já não se distingue água de ar.

E a vida parecia um eterno emergir e submergir.

Houve um dia em que eu perdi o fôlego e nunca mais consegui respirar.

 



Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 21h42
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Conto de ano novo

O ano novo acaba de chegar.

Naquele quarto fechado, ela tenta abafar o som dos fogos com o barulho do teclado, enquanto escreve freneticamente.

Diferente de todos os outros anos não haveria resoluções, nem roupa branca, nem calcinha nova, nem esperança.

Ela escrevia, bebia e fumava o cigarro que impregnava o ar de fumaça tentando esconder as lágrimas.

Mas era tudo em vão.

Naquele ano, viu sua vida desmoronar de forma tão intensa e tão profunda que, enfim, sentia provando o tal buraco negro.

Limpava as lágrimas, que se confundiam com o suor e fumava mais um cigarro.

Naquela hora, só desejava o silêncio que, talvez chegasse, bêbado com os primeiro raios do sol, daquela manhã que seria quente e radiante.

Respirou....



Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 01h16
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só linhas retas

Curioso como não sinto nada, quando os manuais descrevem a profusão de sentimentos.

Curiosa, essa descrença que me faz olhar tudo de maneira incrédula.

Nada de cor. Nada de calor. Nada.

Nem variação. Apenas linha reta. 



Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 07h57
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O amor acontece

Então, o amor acontece.

O amor acontece em dias nublados.

O amor acontece no momento em que baixamos a guarda.

O amor acontece em churrascos, festas, rodas de samba.

Ele acontece.

E acontece quando chove mais que o esperado.

Ou quando o tempo esquenta até quase não suportarmos.

Ele acontece quando abrimos aquele livro

Ou trocamos figurinhas sobre filmes.

O amor acontece.

De fato, ele acontece.

E, então, acaba!



Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 20h37
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Canção de um bêbado

 

Eu cheguei e aquele Jesus escalpelado ficou me olhando. Eu olhava para a garrafa vazia e cheguei a conclusão que deveria ter bebido pouco. Menos, bem menos. Era aquela necessidade de fuga que me direcionava para a garrafa, como se eu pudesse me afastar das imagens e das lembranças. Mais das lembranças do que das imagens, porque as imagens era eu quem criava.

Eu procurava a garrafa porque queria me afogar e, aqueles dias, eram tão secos, tão secos...

Procurava a garrafa porque a realidade também era seca e fria.

Eu procurava a garrafa porque desejava alterar minha visão. Minha miopia já não era suficiente. As lágrimas já não eram suficientes.

Procurava a garrafa porque precisava de cheiros e sabores. De seus cheiros e sabores ou quaisquer outros cheiros e sabores.

Procurava a garrafa. Não por dependência. Não por fraqueza...

Procurava a garrafa porque, ali, um dia me disseram que ela seria mágica e realizaria todos os meus desejos.

Procurava a garrafa porque procurava sonhos.

 



Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 22h40
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Porque tem dessas coisas...

 

Porque tem todas essas coisas que fazem parte da gente. E tem também aquelas paixões que não fazem sentido e nem teriam porque acontecer se a vida não fosse um grande emaranhado, e é como se Deus ou aquela partícula que os físicos tanto procuram, ficassem mostrando para gente quem é que realmente manda.

E nem adianta essa coisa de ser virginiano e tentar contolar tudo, e nem adianta a gente ser racional e tentar fazer da vida uma grande equação matemática que vai terminar no infinito (que talvez seja a melhor metáfora para a morte). Não adianta nada.

Não adianta porque eu vou jogar três meses de mentalização, higienização, força de vontade e tudo mais que eu fiz para ficar forte e não sucumbir a todas as coisas que me fazem mal, porque na vida nada é 100% acertado e bom.

E eu vou jogar tudo no lixo e não ligar para as dores e angústias só porque eu senti o seu cheiro e vi a sua pela morena de novo. E você sorriu e foi doce. E eu tentei ser séria e equilibrada de um jeito que eu não sou.

E eu vou pensar em você e te desejar doce como uma jujuba. E vou querer sua pele macia e um pouco de ternura, que eu ainda hoje duvide que emane de você.

Porque eu vou pensar em quantas vezes eu gostaria de vê-lo sorrindo, despojadamente.

E em como tudo ficou pequeno...e como eu me fiz forte para resistir. E fraca a ponto de desejar.

E eu vou acordar pensando em você e na cor da sua camisa.. e no seu sorriso.

Eu vou acordar pensando em você e seguindo em frente, embora por dois segundos eu quisesse apenas aquilo que existiu na minha cabeça.

O tempo está acabando e eu vou pensar em você, safadamente, enquanto espero que algo real aconteça. Com você ou com um outro qualquer.



Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 16h13
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Então eu senti saudade...

 

 

 

Talvez hoje seja dia de sentir saudade. Não sei muito bem a razão.

Mas a verdade é que acordei sentindo uma saudade que não tem tamanho, daquelas que dão vontade de de pegar em coisas e tocar pessoas. De sentir cheiro, de lembrar do gosto.

E aí veio você.

E só veio você.

E a sensação de que seu rosto e sua lembrança começam a parecer vultos esfumaçados e etéreos.

Com eu queria tocar. E sentir cheiro e gosto.

E aí eu lembrei dos Beatles e a música tocou 3546 vezes no meu player e eu querendo “sand all my loving to you”...

E eu não consigo parar de pensar em como fazer meus sonho se tornar realidade.

E, enquanto isso não se torna possíve (talvez nunca) eu vou sonhando e sentindo saudade disse você que eu não sei explicar.

"I'll pretend that I'm kissing
The lips I am missing
And hope that my dreams will come true"

O vento soprou por aí e fui eu que te beijei.

Tenho certeza que a brisa é tão suave e delicada e que te incomoda de um jeito terno porque parece que tem alguma coisa incomodando o seus olhos. E não sei se isso te fará lembrar de mim. Talvez eu não seja nem lembança, nem saudade....

 

 



Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 17h18
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Distantes

Foi assim que eu me perdi.

Ou assim que me encontrei.

Não me lembro, na verdade.

Foi assim que me perdi, quando me encontrei nos seus belos olhos.

Distantes.

Foi assim que me perdi. Na minha intensidade e no meu medo.

Queria me perde em você.

Ou me achar.

E querendo me achar, me perdi em você e em seus belos olhos.

Distantes...



Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 16h20
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Sobre o fim dos romances

 

Ele trabalha com informática, ainda.

Ele trabalha com informática mas decidiu que será piloto de helicóptero.

Ela é médica. Só que decidiu pelo artesanato.

Os caminhos se cruzaram no aeroporto, em um dia ensolarado e fresco.

E foi assim, como que despretensiosamente, que os dois se conheceram.

Não teve flores, nem sinos badalando, nem música instrumental de fundo, nem nada.

Ele da informática. Ela médica.

O máximo de lirismo que lhes foi permitido foi um vento intenso, como aqueles de filme e que prenunciam acontecimentos grandiosos.

A conversa começou com o emprétismo de um recarregador de celular. Pegariam o mesmo vOo e compartilhavam a mesma sala vip dos clientes especiais do banco.

Trocaram telefones, em seguida.

Foi tudo muito intenso e, rapidamente, moravam juntos e faziam planos sobre casas de dois pavimentos, escada, filhos e labradores.

Não durou muito. Tudo terminou em uma noite de chuva e um peito perfurado por uma faca. Nunca mais se veriam. Ela no caixão. Ele na cadeia.

Não haveria tempo nem para o artesanato, nem para o helicóptero.



Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 18h43
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A elite da tropa vai à academia?

 

A escolha de "Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro", para tentar uma vaga na disputa de Melhor Filme Estrangeiro, na 84ª edição do Oscar trouxe,  novamente,  o filme de José Padilha para a roda discussões no Brasil. O anúncio foi feito nesta terça-feira (20 de setembro), no Rio de Janeiro e acontece em um momento propício para o longa que deverá estrear, nos Estados Unidos, em breve. Só no Brasil, a história do Capitão Nascimento levou mais de 11 milhões de espectadores às salas de cinema.

 

Na segunda parte da história, agora 10 anos mais tarde, o Capitão Nascimento (Wagner Moura) abandonou o trabalho nas ruas e trabalha na inteligência, controlando a Secretaria de Segurança Pública. Em seu lugar, André Matias (André Ramiro) que ainda carrega a carga idelista de uma polícia que não se rende à corrupção, embora esteja cercado por ela em todos os lados.

 

A corrupção é o tema mas, o que chama a atenção entre tiros e explosões, é a falta de esperança que a história carrega. Teríamos que recomeçar nossa história como povo, como nação para nos livramos da corrupção? O que choca, mais do que tiros e explosões, é o fato de não termos em quem acreditar. O que choca é a solidão de um capitão Nascimento que tenta, de qualquer forma, vencer essa coisa engendrada e sem uma face específica.

 

E os questionamentos?

 

A escolha de "Tropa de Elite 2" vai levantar, novamente, questionamentos sobre a temática dos filmes brasileiros que giram em torno da pobreza e da violência. Seria esse o Brasil que gostaríamos de apresentar aos outros? Ou é melhor estarmos conscientes dos nosso problemas e utilizar a arte como ferramenta para a reflexão?

 

Particularmente, eu gostaria de ver outros tipos de narrativas. Em 2008 "O ano em que meus pais saíram de férias" fez parte da pré-seleção dos filmes que tentavam a chance de ser escolhido como melhor filme estrangeiro. No ano anterior, "Cinema, Aspirinas e Urubus". Os dois exemplos são narrativas que fogem do padrão e da lógica de Hollywood e que ainda nos permite ter a liberdade de contar histórias do jeito que quisermos.

 

A indicação já foi. Agora é torcer para que a história do homem por traz do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) convença os integrantes da academia e, no fundo, finalmente traga o tão almejado Oscar para o Brasil.



Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 18h24
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Por que todas merecem um Xico Sá?

 

Ontem estava vendo Saia Justa e o participante da noite era o Xico Sá. Não sei quando comecei a admirar “o cronista, o repórter, o homem, o mito, a fraude” como está escrito na testeira do blogo dele. Evidentemente, em primeiro lugar, admiro o profissional. São daquelas pessoas que fazem o jornalismo e, sobretudo, escrevem do jeito que eu gostaria de fazer. Cheio de lirismo, só para roubar uma das suas expressões.

 

Mas não é só por isso que eu adoro o Xico Sá. Adoro porque ele é o tipo de homem que gosta de mulher. Mas gosta muito, incondicionalmente. Sem frescurites. Sem mimimi. Sem dizer que prefere as loiras, ou as morenas. Ou as altas. As baixas ou as ruivas. Ele gosta das dentucinhas. Certamente, deve ter lá suas preferências, mas sempre faz acreditar que podemos amada pelo que somos. E ele fala de nós, mulheres, com uma delicadeza e uma doçura, que é de perder o fôlego.

 

Ele nos faz lembra de como é bom ser mulherzinha. E não é só isso. Ele nos faz querer ser mulherzinha. Para poder perdir as coisas com delicadeza, para os nossos machos. Ele nos faz querer não ser tão soberana e dona das nossas vidas assim, de modo a cuidar bem. Ele nos faz querer ser mulherzinha para poder ser contemplada com ternura, em um sábado de manhã, naqueles atos que só os apaixonados são capazes de fazer.

 

Por isso que eu adoro o Xico Sá. E acho que todas nós merecemos um exemplar desse . Porque merecemos ser tratada bem. E lembrar do que é viver com delicadeza...

Conheça o trabalho do Xico Sá.



Escrito por Cássia Ferreira Andrade às 18h12
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